Uma fatia de melancia a caminhar, com um cravo na mão: Melancia com Cravo. Pequena e discreta, do lado do coração.
A melancia, com as cores da bandeira, é um símbolo de solidariedade com a Palestina. Aqui leva um cravo na mão: de Abril, para quem ainda luta pela sua liberdade.
Uma casa com a etiqueta do preço a voar: A renda subiu. A casa ficou igual.
As paredes são as mesmas, a cozinha é a mesma, só o preço mudou. A Constituição diz que todos têm direito a uma habitação condigna.
Um rádio antigo com um cravo na antena: Frequência livre.
Na noite de 24 para 25 de Abril de 1974, as senhas da revolução passaram na rádio. Uma frequência livre é isso: ninguém a manda calar.
Um punho ergue a chave de casa por cima de um bairro de casas coloridas, com um cravo ao lado: Habitação é um direito.
A Constituição de 1976 pôs no artigo 65.º que todos têm direito a uma casa digna. Com rendas a subir mais do que os salários, Abril também se defende com uma chave na mão.
A palavra Fascismo riscada a vermelho, a escorrer sobre um cravo: Fascismo nunca mais.
48 anos de ditadura bastaram. O 25 de Abril acabou com a censura, a polícia política e a guerra colonial; o antifascismo é não deixar que nada disso volte.
Uma mão aberta trava um capacete de polícia, ao lado de um cravo: A farda não dá impunidade.
Quem veste uma farda responde pelos seus atos, como toda a gente. Depois do 25 de Abril, a força do Estado deve servir a liberdade, nunca estar acima da lei.
Duas mãos a proteger um cravo diante de um escudo: Proteger não é agredir.
Quem tem a missão de proteger não tem licença para bater. Depois do 25 de Abril, a liberdade de estar na rua, de protestar e de acampar é para defender, não para reprimir.
Dois cravos cruzados dentro de um selo: Ação antifascista em cima, 25 de Abril sempre em baixo.
O 25 de Abril acabou com 48 anos de ditadura, mas o antifascismo não ficou em 1974: é o que se faz todos os dias para que o medo, a censura e o ódio não voltem a mandar.
O retrato a tinta de Rosa Luxemburgo, com uma rosa vermelha e ramos de espinhos atrás da cabeça.
Rosa Luxemburgo escreveu contra a guerra e contra o partido que mandava calar. Assassinada em Berlim em 1919, deixou dito que a liberdade é sempre a de quem pensa de modo diferente.
O retrato a tinta de Engels, de barba cheia, com fábricas e chaminés atrás da cabeça.
Friedrich Engels descreveu as fábricas de Manchester quando quase ninguém as queria ver. Com Marx, escreveu o Manifesto e passou a vida a organizar quem trabalhava.
O retrato a tinta de Louise Michel, com um corvo no ombro.
Louise Michel combateu nas barricadas da Comuna de Paris em 1871. Deportaram-na para a Nova Caledónia; voltou a exigir escola para todas e um mundo sem amos.
O retrato a tinta de Emma Goldman, de óculos redondos, o cabelo em volume e uma gravata ao pescoço.
Emma Goldman defendeu a palavra livre, o corpo das mulheres e o direito de recusar a guerra. Os EUA expulsaram-na em 1919; ela continuou na Europa, inclusive na Espanha em revolução.
O retrato a tinta de Marx, de barba cheia, com um círculo partido atrás da cabeça.
Karl Marx passou décadas a explicar como o capital organiza o trabalho e a vida. O Manifesto e O Capital deram ao movimento operário um vocabulário para exigir pão, tempo e a última palavra sobre o próprio dia.
Orgulho é Liberdade: o cravo vermelho encontra o arco-íris e um padrão inspirado no lenço palestiniano.
Um desenho que junta memória, orgulho e solidariedade: a liberdade de Abril também é a de amar quem se quiser.