Cartazes do 25 de Abril: a revolução nas paredes.
Durante 48 anos, quase nada se podia escrever nas paredes sem passar pela censura. Depois do 25 de Abril de 1974, as paredes encheram-se. Partidos, sindicatos, comissões de moradores e artistas colaram cartazes por cima uns dos outros, e alguns ficaram como imagens da revolução. Este é um pequeno guia: quem os fez, onde ainda se podem ver e como escolher um para casa.
Um país a falar pelas paredes
Entre 1974 e 1975 houve eleições, greves, ocupações e manifestações quase todas as semanas, e cada uma tinha os seus cartazes. Muitos eram feitos à pressa, em serigrafia ou offset barato, e duravam dias. Outros eram encomendados a pintores e designers, e esses são os que hoje aparecem em museus e leilões.
Os murais foram a outra metade dessa conversa. Partidos e movimentos pintaram muros inteiros em Lisboa, no Porto e por todo o país. A maior parte desapareceu com o tempo e com as obras, e hoje sobrevive sobretudo em fotografias.
As campanhas do MFA
O Movimento das Forças Armadas organizou, em 1974 e 1975, as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica. Militares, artistas e estudantes iam às aldeias, sobretudo às mais longe de Lisboa, explicar a democracia, fazer sessões de esclarecimento, levar teatro e cinema. Os cartazes faziam parte dessa campanha: tinham de se perceber à primeira, mesmo por quem não sabia ler.
João Abel Manta
Arquiteto, pintor e cartoonista, João Abel Manta (1928–2026) desenhou alguns dos cartazes mais conhecidos do MFA entre 1974 e 1975. Num deles, um camponês e um soldado lado a lado, com a frase «MFA, Povo / Povo, MFA», sobre a aliança entre os militares e o povo. Há um exemplar no Victoria and Albert Museum, em Londres.
São também dele «O Povo Está com o MFA», com pessoas novas e velhas a oferecer comida e bebida a um soldado, e «MFA, Sentinela do Povo», ambos de 1975. Ao mesmo tempo, publicava nos jornais cartoons ferozes sobre a política da época.
Vieira da Silva e «A poesia está na rua»
Maria Helena Vieira da Silva vivia em Paris quando a poeta Sophia de Mello Breyner Andresen lhe pediu um cartaz para o primeiro aniversário da revolução. O resultado mostra a multidão a convergir para as ruas, os soldados e os cravos, com as palavras «A poesia está na rua». Foi editado pela Fundação Calouste Gulbenkian e tornou-se um dos símbolos de Abril.
A frase ficou como lema da época. Contamos a história dela e de outras palavras de ordem em Frases do 25 de Abril.
Onde ver cartazes da revolução
O Centro de Documentação 25 de Abril, da Universidade de Coimbra, guarda uma grande coleção de documentos e cartazes do período. Em Lisboa, o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade conta a história da ditadura e da resistência. Arquivos municipais e bibliotecas fazem exposições, sobretudo à volta de cada aniversário.
Cartazes originais de 1974 e 1975 aparecem em alfarrabistas e leilões, mas os mais conhecidos são raros e caros. Para a parede de casa, a maior parte das pessoas escolhe uma reprodução ou um cartaz novo.
Escolher um cartaz do 25 de Abril para casa
O tamanho depende da parede. Um A4 ou A3 fica bem numa estante, num corredor ou num conjunto de vários quadros. Um A2 já se vê do outro lado da sala. Um A1 é para uma parede vazia, por cima do sofá ou da cama.
No papel, o mate não faz reflexos e fica bem com moldura com vidro. O lustre tem cores mais vivas, mas brilha com a luz da janela. Se o cartaz vai ficar sem vidro, preso com molas ou fita, o mate também aguenta melhor as dedadas.
O nosso cartaz Mãos Solidárias tem três mãos à volta de um cravo, impressas em papel grosso, do A4 ao A1. Não é uma réplica de 1974: é um desenho nosso, a pensar nessas paredes cheias de então.



