Rosa Luxemburgo: quem foi, e as frases que são mesmo dela.
Rosa Luxemburgo é uma das figuras mais citadas da esquerda, e também uma das mais mal citadas. Foi economista, jornalista, oradora e militante, e morreu assassinada aos 47 anos. Aqui fica quem foi, o que defendeu e de onde vêm as frases que circulam com o nome dela.
De Zamość a Berlim
Nasceu a 5 de março de 1871 em Zamość, na Polónia, então parte do Império Russo, numa família judia. Ainda jovem teve de fugir por causa da atividade política e foi estudar para Zurique, onde se doutorou em economia, com uma tese sobre o desenvolvimento industrial da Polónia.
Em 1898 mudou-se para a Alemanha e entrou no Partido Social-Democrata alemão, o maior partido socialista da Europa de então. Tornou-se uma das suas vozes mais conhecidas, a escrever, a dar aulas na escola do partido e a discutir com quem achava que o socialismo chegaria só por reformas.
Contra a guerra, presa e assassinada
Quando a Primeira Guerra Mundial começou, em 1914, o partido votou a favor dos créditos de guerra. Rosa Luxemburgo ficou do outro lado: era contra uma guerra em que os trabalhadores de cada país se matavam uns aos outros. Passou boa parte da guerra presa.
Saiu da prisão em novembro de 1918, com a revolução alemã na rua. Com Karl Liebknecht, fundou a Liga Spartakus e depois o Partido Comunista da Alemanha. A 15 de janeiro de 1919, os dois foram presos e assassinados em Berlim por soldados dos Freikorps, ao serviço de um governo social-democrata. O corpo dela foi atirado ao canal Landwehr.
«A liberdade é sempre a liberdade de quem pensa de maneira diferente»
Esta é dela. Está nas notas que escreveu na prisão em 1918 sobre a revolução russa, publicadas só depois da sua morte com o título «A Revolução Russa». Rosa Luxemburgo apoiava a revolução, mas criticava os bolcheviques por suprimirem a imprensa, as eleições e o debate livre. Para ela, liberdade só para os apoiantes do governo não era liberdade nenhuma.
Por isso a frase é tão citada: vem de uma revolucionária a avisar os próprios camaradas. As traduções variam um pouco, mas o sentido é sempre este.
«Socialismo ou barbárie»
Também é dela, embora a própria a tenha atribuído a Engels. Usou-a num panfleto contra a guerra escrito na prisão e assinado com o pseudónimo Junius: ou a humanidade avança para o socialismo, ou cai na barbárie, e a guerra era a prova do que a barbárie podia ser.
As que não são dela
«Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem» é talvez a frase mais partilhada com o nome de Rosa Luxemburgo, mas ninguém encontrou de onde vem: não aparece nos livros, artigos ou cartas conhecidos. Pode resumir bem o que ela pensava, mas não há prova de que a tenha escrito.
Desconfia de frases curtas e redondas sem fonte. Com Rosa Luxemburgo, como com Emma Goldman, a regra é procurar o texto original. Contamos o caso mais famoso de Emma em Emma Goldman: anarquia, feminismo e a frase da dança.
Rosa ao peito
A nossa t-shirt Rosa Luxemburgo tem o retrato dela e uma rosa vermelha, em algodão orgânico, feita por encomenda. Para outras mulheres que não se calaram, há a Louise Michel e a Emma Goldman.


