Porque é que o cravo é o símbolo do 25 de Abril.
A revolução de 25 de Abril de 1974 podia ter ficado com outro nome. Ficou «Revolução dos Cravos» por causa de uma mulher, de um molho de flores que não era para ela e de um soldado que lhe pediu um cigarro.
Os cravos que eram para os clientes
Celeste Caeiro trabalhava num restaurante na Rua Braamcamp, perto do Marquês de Pombal, em Lisboa. A 25 de Abril de 1974, o restaurante fazia um ano e o dono tinha comprado cravos vermelhos para oferecer aos clientes.
Quando Celeste chegou, o restaurante estava fechado: havia uma revolução na rua. O patrão mandou os funcionários para casa e pediu-lhes que levassem as flores, para não murcharem.
O cigarro que virou cravo
Em vez de ir para casa, Celeste foi ver o que se passava. Na Baixa, perto do Chiado, um soldado em cima de um carro de combate pediu-lhe um cigarro. Ela não fumava. Ofereceu-lhe um cravo, e ele pô-lo no cano da espingarda.
Os colegas fizeram o mesmo, e Celeste foi distribuindo os cravos que tinha. As floristas da Baixa começaram a dar cravos aos soldados, e ao fim do dia havia flores nos canos das espingardas por toda a cidade. As fotografias correram o mundo, e a revolução ficou com o nome da flor.
Porque é que pegou
Abril é época de cravos, e havia muitos à venda em Lisboa. Mas o cravo pegou sobretudo porque dizia o que aquela revolução teve de diferente: derrubou uma ditadura de 48 anos com muito poucos tiros. Houve mortos nesse dia: a polícia política, a PIDE/DGS, disparou sobre a multidão à porta da sua sede, na Rua António Maria Cardoso, e matou quatro pessoas. Mas os militares quase não dispararam.
Uma flor no cano de uma arma é o contrário de uma guerra. E depois de 13 anos de guerra colonial, foi também isso que os capitães prometeram: acabar com ela.
A Celeste dos cravos
Celeste Caeiro passou a ser conhecida como «Celeste dos Cravos». Durante décadas foi a escolas de todo o país contar a história às crianças. Morreu a 15 de novembro de 2024, com 91 anos, meses depois dos 50 anos da revolução.
O cravo hoje
Todos os anos, a 25 de Abril, o cravo vermelho volta à lapela, aos desfiles e às janelas. Há quem o use o ano inteiro, como quem diz que a liberdade não é só para os dias de festa.
Foi a pensar nisso que fizemos o cravo de lã: não murcha, prega-se no casaco ou na t-shirt e dura de um Abril para o outro. O cravo também está no nosso crachá, no autocolante e no tote. As outras palavras da revolução estão em Frases do 25 de Abril.



