As frases do 25 de Abril, e de onde vieram.
Em 1974, depois de quase meio século de censura, o país ganhou palavras novas. Algumas vinham de canções, outras de cartazes, outras nasceram na rua e ninguém sabe quem as disse primeiro. Ainda hoje se escrevem nas paredes, se gritam nos desfiles e se levam ao peito. Estas são as mais conhecidas, com a história de cada uma.
«O povo é quem mais ordena»
É um verso de «Grândola, Vila Morena», a canção de José Afonso gravada no disco «Cantigas do Maio», de 1971. Na madrugada de 25 de Abril de 1974, a Rádio Renascença passou-a pouco depois da meia-noite, no programa «Limite». Era a segunda senha do Movimento das Forças Armadas: o sinal para as tropas saírem dos quartéis.
A primeira senha tinha passado antes, por volta das 22h55 do dia 24, nos Emissores Associados de Lisboa: «E Depois do Adeus», de Paulo de Carvalho. Os capitães chegaram a pensar noutra canção de José Afonso, «Venham Mais Cinco», mas estava proibida pela censura.
Desde então, a frase resume a ideia de democracia que saiu de Abril: quem manda é o povo. Está no crachá O Povo É Quem Mais Ordena e no autocolante com o mesmo desenho.
«25 de Abril sempre, fascismo nunca mais»
É a palavra de ordem de todos os desfiles do 25 de Abril, da Avenida da Liberdade, em Lisboa, às praças das vilas. Não tem autor conhecido: nasceu na rua e passou de geração em geração.
As duas metades dizem coisas diferentes. A primeira celebra o dia em que acabou a ditadura do Estado Novo, que durou 48 anos. A segunda é um aviso: a liberdade não está garantida e defende-se. É por isso que se grita tanto hoje como em 1974.
Usamos as duas metades em separado: 25 de Abril Sempre, também no tote, e Fascismo Nunca Mais, em crachá e autocolante.
«A poesia está na rua»
É o título de um dos cartazes mais famosos da revolução, pintado por Maria Helena Vieira da Silva. Foi a poeta Sophia de Mello Breyner Andresen quem lho pediu, para o primeiro aniversário do 25 de Abril, e o cartaz foi editado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Mostra a multidão a encher as ruas, os soldados e os cravos vermelhos.
A frase pegou porque descrevia o que se via: gente nas ruas, paredes pintadas, música e palavras por todo o lado. Contamos a história desse e de outros cartazes em Cartazes do 25 de Abril.
«O povo unido jamais será vencido»
Esta veio do Chile. É o título de uma canção de Sergio Ortega, gravada pelos Quilapayún em 1973, pouco antes do golpe de Pinochet. Atravessou o oceano e em 1974 e 1975 gritou-se nas ruas portuguesas como se fosse daqui. Ainda hoje se ouve nas manifestações, em Portugal e em meio mundo.
«Paz, pão, habitação, saúde, educação»
A lista vem da canção «Liberdade», de Sérgio Godinho, do disco «À Queima-Roupa», editado em outubro de 1974. A ideia é simples: não basta poder falar, a liberdade também é ter onde viver, o que comer, escola e médico.
A habitação ficou na Constituição de 1976, que diz no artigo 65.º que todos têm direito a uma casa adequada. Quase cinquenta anos depois, com as rendas a subir, «Habitação é um direito» voltou aos cartazes das manifestações. É a frase do nosso crachá vermelho e do autocolante.
«Orgulho é liberdade»
Esta é nossa, e não vem de 1974. Abril abriu a porta, mas a liberdade não chegou a toda a gente no mesmo dia. A homossexualidade só deixou de ser crime em Portugal em 1982, e o casamento entre pessoas do mesmo sexo só chegou em 2010.
Por isso juntámos o cravo às cores do arco-íris: a liberdade de Abril também é a de amar quem se quer. Está na t-shirt Orgulho é Liberdade, no hoodie e no crachá Orgulho e Liberdade.
Para levar as frases para a rua
As frases de Abril não são para ficar no museu. Os nossos crachás custam 2,50 € e os seis ficam por 12 €. Os autocolantes de 7 cm também se vendem em pack de 20 iguais, para distribuir na manifestação ou na associação.





