Louise Michel, a professora da Comuna de Paris.
Professora primária, poeta, combatente, deportada, anarquista. Louise Michel passou a vida a ensinar e a lutar, e quase nunca pelas regras. Em França chamaram-lhe «a Virgem Vermelha». Esta é a história dela.
Uma professora fora das regras
Nasceu a 29 de maio de 1830, numa aldeia do Haute-Marne, no leste de França. Fez-se professora e recusou jurar fidelidade ao imperador Napoleão III, por isso abriu escolas por conta própria. Em Paris, ensinava, escrevia poemas e frequentava os círculos republicanos e socialistas.
A Comuna de Paris
Em março de 1871, depois da derrota na guerra com a Prússia, o povo de Paris tomou conta da cidade e criou a Comuna, um governo eleito pelos bairros que durou cerca de dois meses. Louise Michel esteve lá desde o primeiro dia: em Montmartre, nas ambulâncias, nas barricadas, de arma na mão com a Guarda Nacional.
A Comuna acabou em maio de 1871, esmagada pelo exército, com milhares de mortos. Louise Michel foi presa e julgada. Em tribunal não pediu perdão: assumiu tudo e desafiou os juízes a darem-lhe o mesmo destino que aos homens que tinham sido fuzilados. Victor Hugo dedicou-lhe um poema.
Deportada para a Nova Caledónia
Foi condenada à deportação e, em 1873, embarcou para a Nova Caledónia, uma colónia francesa no Pacífico, onde ficou sete anos. Em vez de se fechar, aprendeu a língua e as histórias do povo kanak, deu-lhes aulas e, quando os kanak se revoltaram em 1878, ficou do lado deles, ao contrário de muitos outros deportados.
A bandeira negra
A amnistia de 1880 deixou-a voltar a França, já anarquista. Voltou às conferências e às manifestações, e voltou à prisão várias vezes. Em 1883 terá liderado em Paris uma manifestação de desempregados com uma bandeira negra, que desde então ficou como símbolo do anarquismo.
Morreu em Marselha a 9 de janeiro de 1905, numa viagem de conferências. Milhares de pessoas acompanharam o funeral em Paris.
Porque é que ainda nos fala
Louise Michel juntou numa só vida a escola, a revolução, o feminismo e a solidariedade com povos colonizados, muito antes de estas palavras andarem juntas. Por isso aparece hoje em murais, nomes de escolas e cartazes. Na nossa t-shirt Louise Michel também, em algodão orgânico e feita por encomenda.
Outras duas mulheres que não se calaram: Rosa Luxemburgo e Emma Goldman.


