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DE ABRIL
Artigo ·

Emma Goldman: anarquia, feminismo e a frase da dança.

«Se não posso dançar, não é a minha revolução.» É a frase mais conhecida de Emma Goldman, aparece em t-shirts, cartazes e tatuagens, e não foi ela que a escreveu. A história verdadeira é melhor, e a vida dela também.

De Kaunas a Nova Iorque

Nasceu em 1869 em Kaunas, na atual Lituânia, então parte do Império Russo, numa família judia. Aos 16 anos emigrou para os Estados Unidos e foi trabalhar para uma fábrica de roupa em Rochester, a coser por um salário de miséria.

O que a fez anarquista foi o caso de Haymarket: em 1886, depois de uma bomba numa manifestação operária em Chicago, quatro anarquistas foram enforcados com provas muito frágeis. Emma Goldman mudou-se para Nova Iorque e começou a falar em público.

«A mulher mais perigosa da América»

Tornou-se uma das oradoras mais conhecidas do país. Falava de anarquismo, mas também de liberdade de expressão, de amor livre e de contraceção, numa época em que só falar disso dava prisão. Fundou a revista «Mother Earth», que publicou durante mais de dez anos, e foi presa várias vezes.

Em 1917, quando os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial, fez campanha contra o recrutamento obrigatório. Foi condenada e, em 1919, expulsa do país para a Rússia, com o companheiro Alexander Berkman e mais de duas centenas de pessoas.

Desiludida com a Rússia

Chegou à Rússia revolucionária com esperança e saiu de lá ao fim de dois anos, desiludida com a perseguição aos anarquistas e com o poder concentrado no partido. Escreveu sobre isso, o que lhe valeu críticas de muita gente da esquerda.

Passou o resto da vida entre a Europa e o Canadá, apoiou os anarquistas na Guerra Civil de Espanha e escreveu a autobiografia «Living My Life». Morreu em Toronto em 1940 e foi enterrada em Chicago, perto dos anarquistas de Haymarket.

A frase da dança

A frase «se não posso dançar, não é a minha revolução» não está em nenhum texto dela. Foi criada em 1973 por um tipógrafo anarquista de Nova Iorque, Jack Frager, que queria imprimir t-shirts de Emma Goldman para angariar dinheiro e precisava de uma frase curta.

Inspirou-se numa cena da autobiografia: numa festa, um rapaz chamou-a à parte para lhe dizer que não ficava bem a uma militante dançar daquela maneira. Emma respondeu, por outras palavras, que uma causa que lhe pedia para abdicar da alegria e da beleza da vida não era a causa dela. A frase é inventada, mas a ideia é dela.

Emma ao peito

A nossa t-shirt Emma Goldman é em algodão orgânico e feita por encomenda. Para outras frases bem e mal atribuídas, lê Rosa Luxemburgo: quem foi e as frases que ficaram e Frases do 25 de Abril.

Fontes