LOJA
DE ABRIL
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As mulheres do 25 de Abril.

Quando se conta o 25 de Abril, aparecem sobretudo capitães, soldados e políticos. Mas para metade do país a revolução mudou tudo de forma muito concreta: o que se podia estudar, onde se podia trabalhar, se era preciso pedir licença ao marido. Esta é a parte da história que menos se conta.

Antes de 1974

No Estado Novo, a lei punha o marido como chefe de família. Uma mulher casada precisava da autorização do marido para muitas coisas, incluindo sair do país, e o Código Civil de 1966 dava ao marido o direito de abrir a correspondência da mulher. As mulheres não podiam ser juízas nem diplomatas.

O voto também era limitado: o Estado Novo só deixava votar algumas mulheres, com condições que não se aplicavam aos homens, e as eleições não eram livres para ninguém.

As mulheres da resistência

Muitas mulheres lutaram contra a ditadura, e muitas pagaram por isso com a prisão. Catarina Eufémia, ceifeira de Baleizão, foi morta pela GNR em 1954, durante uma greve por melhores salários, e tornou-se um símbolo da resistência no Alentejo. Maria Lamas, escritora e jornalista, foi presa várias vezes e acabou exilada.

As Três Marias e as Novas Cartas Portuguesas

Em 1972, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa publicaram «Novas Cartas Portuguesas», um livro escrito a seis mãos sobre o corpo, o desejo, a guerra e a condição das mulheres. O livro foi apreendido pela censura e as três foram levadas a tribunal, acusadas de ofensa à moral pública.

O processo ganhou eco internacional e houve manifestações de solidariedade em vários países. Ficaram conhecidas como as «Três Marias». O julgamento só terminou a 7 de maio de 1974, já depois da revolução, com a absolvição das três.

O que Abril trouxe

Logo em 1974, a magistratura e a carreira diplomática abriram-se às mulheres. A 25 de abril de 1975, nas eleições para a Assembleia Constituinte, homens e mulheres votaram pela primeira vez em igualdade, em eleições livres.

A Constituição de 1976 consagrou a igualdade entre homens e mulheres, e a reforma do Código Civil, no final dos anos 70, acabou com a figura do chefe de família: cada um dos cônjuges passou a poder trabalhar no que quisesse sem autorização do outro.

E Celeste, a dos cravos

O próprio símbolo da revolução veio de uma mulher: Celeste Caeiro, que deu um cravo a um soldado no dia 25 de Abril. Contamos a história em Porque é que o cravo é o símbolo do 25 de Abril.

Para mulheres que mudaram a história noutros países, lê sobre Rosa Luxemburgo, Louise Michel e Emma Goldman. E o cravo de lã prega-se ao peito o ano inteiro.

Fontes