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DE ABRIL
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As duas bandeiras: a história do símbolo antifascista.

Duas bandeiras a ondular dentro de um círculo. É dos símbolos políticos mais vistos nas manifestações da Europa, em autocolantes, faixas e t-shirts. Nasceu numa Alemanha à beira do nazismo, e a história de como mudou de cor diz muito sobre quem o usa.

Berlim, 1932

Em 1932, o partido nazi crescia em cada eleição e as ruas alemãs estavam cheias de violência política. A 26 de maio desse ano, o Partido Comunista da Alemanha anunciou no seu jornal, o «Die Rote Fahne», a criação da Antifaschistische Aktion, a Ação Antifascista.

O símbolo é atribuído a Max Gebhard e Max Keilson, dois artistas da Associação de Artistas Plásticos Revolucionários. Eram duas bandeiras vermelhas, lado a lado. Lê-se geralmente como um apelo à unidade dos trabalhadores, comunistas e sociais-democratas, contra o nazismo, uma unidade que nunca chegou a acontecer.

Meses depois, a 30 de janeiro de 1933, Hitler foi nomeado chanceler, e os movimentos antifascistas foram proibidos e perseguidos.

Vermelha e preta

O símbolo voltou nos anos 80, com os movimentos autónomos da Alemanha Ocidental. Redesenharam-no com uma bandeira vermelha e uma preta: a vermelha do socialismo e a preta do anarquismo. É essa a versão que hoje se vê mais, de Berlim a Lisboa.

Há também versões com as bandeiras viradas para o outro lado, ou com outras cores, feitas por grupos de cada cidade ou de cada clube. A ideia mantém-se: gente diferente do mesmo lado contra o fascismo.

Antifascista, em português

Em Portugal, a palavra tem uma história própria. Durante os 48 anos do Estado Novo, muita da oposição à ditadura chamava-se a si mesma antifascista, de comunistas a católicos progressistas, de estudantes a operários. Muitos passaram pelas prisões da polícia política.

Por isso, depois do 25 de Abril, «fascismo nunca mais» ficou como a segunda metade da palavra de ordem de todos os desfiles. Contamos a história dessa e de outras frases em Frases do 25 de Abril.

Dois cravos em vez de duas bandeiras

Na nossa t-shirt Ação Antifascista, as bandeiras deram lugar a dois cravos cruzados dentro de um selo, com «25 de Abril sempre» em baixo. É o símbolo de 1932 traduzido para a revolução portuguesa. O mesmo desenho está no autocolante Ação Antifascista.

Para dizer o mesmo de outra maneira, há o crachá Fascismo Nunca Mais e o cartaz Fascismo Riscado.

Fontes